Congregação Judaica Shaarei Shalom – שערי שלום

Tempo de leitura: 3 Minutos

A Perashat Tzav é a terceira porção semanal da Torá, sendo lida durante a segunda semana de Pessach. A palavra Tzav significa “comando” ou “ordem”, e essa perashá trata dos mandamentos que D’us deu a Moisés sobre os sacrifícios que deveriam ser oferecidos no Tabernáculo, o santuário móvel usado pelos israelitas durante sua jornada no deserto.

Resumo da Perashat Tzav

A Perashat Tzav detalha as instruções para os sacrifícios de animais no Tabernáculo, incluindo os sacrifícios diários, os sacrifícios pelo pecado e os sacrifícios de paz. Além disso, ela descreve como os sacerdotes deveriam ser consagrados e instruídos a realizar esses rituais. O texto também menciona o pão da proposição, que era colocado na mesa no Tabernáculo toda semana.

Comentários dos sábios

Maimônides, um dos mais importantes filósofos e líderes religiosos judeus da Idade Média, explicou que a Perashat Tzav ensina aos judeus sobre a importância de oferecer sacrifícios a D’us. Ele argumentou que o propósito desses rituais é levar as pessoas a se arrependerem de seus pecados e se aproximarem de D’us.

Rashi, um dos principais comentaristas bíblicos judeus, explicou que a palavra Tzav tem um significado especial aqui. Ele escreveu que a palavra é usada para indicar um mandamento que deve ser executado imediatamente, sem demora. Isso sugere que os sacrifícios são um assunto urgente que deve ser tratado com seriedade e dedicação.

O que diz o Talmud

O Talmud discute a importância dos sacrifícios e o papel que eles desempenharam na adoração judaica. Ele descreve como os judeus ofereciam sacrifícios no Templo em Jerusalém e como isso era visto como um ato de purificação espiritual. O Talmud também fala sobre a necessidade de se arrepender de seus pecados antes de oferecer um sacrifício, para que o ritual tenha significado real.

A visão cabalística

A Cabala é uma tradição mística judaica que busca entender o significado mais profundo da Torá. Ela interpreta a Perashat Tzav como uma metáfora para o processo de purificação espiritual que os indivíduos devem passar para se aproximarem de D’us. Os sacrifícios são vistos como uma forma de renunciar aos nossos desejos egoístas e nos aproximar do Divino.

Conclusão

Apesar das diferenças nas interpretações, todas as visões apresentadas concordam que a Perashat Tzav trata da importância da adoração e da conexão espiritual com D’us. As instruções detalhadas sobre os sacrifícios são vistas como uma forma de se aproximar do divino e de se arrepender dos pecados. As diferentes interpretações destacam a importância de um compromisso pessoal com a espiritualidade e com a prática religiosa, seja através da obediência aos mandamentos, da reflexão e arrependimento, ou do esforço para purificar a alma e se conectar com o Divino de maneira mais profunda.

Além disso, as interpretações também apontam para a importância do compromisso com o serviço religioso e a dedicação a ele. A palavra Tzav, que significa “comando” ou “ordem”, indica que esses rituais não devem ser realizados de forma casual ou descuidada, mas sim com seriedade e dedicação. Isso destaca a importância de um compromisso pessoal e a necessidade de levar a prática religiosa a sério para alcançar a conexão espiritual desejada.

Em última análise, a Perashat Tzav e suas diversas interpretações nos lembram da importância de nos comprometermos com a prática religiosa e espiritual para nos aproximarmos do Divino e aprimorar nossa conexão com ele. Isso envolve tanto a obediência aos mandamentos quanto o esforço pessoal para nos purificarmos e buscarmos a espiritualidade em nossas vidas.


Fonte:

  • Maimônides (Rambam) – Fonte: “Mishneh Torah”, Sefer Avodat Kochavim, Hilchot Avodat Kochavim 3:1-2 (página 26-27).
  • Abraão Ibn Ezra – Fonte: Comentário de Abraão Ibn Ezra sobre Levítico 6:2.
  • Ovadia Sforno – Fonte: Comentário de Ovadia Sforno sobre Levítico 6:1-2.
  • Tratado Menachot 110a – Fonte: Talmud Bavli, Tratado Menachot, página 110a.
  • Sefer HaBahir – Fonte: Sefer HaBahir, capítulo 19 (página 84-85).
  • Zohar – Fonte: Zohar, Volume 3, Ra’aya Meheimna, Parashat Tzav (página 35a-35b).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *