Congregação Judaica Shaarei Shalom – שערי שלום

Tempo de leitura: 7 Minutos

Por: Rabino Ari Khan

A maior parte de Parashat Bechukotai lida com as consequências desastrosas da rebelião. Se o povo judeu falhar em obedecer aos mandamentos de D’us, haverá dor, morte e exílio. No entanto, este aviso severo é precedido por uma descrição da existência utópica que nos espera se cumprirmos as leis da Torá. Este futuro brilhante e a nova sociedade que devemos construir são descritos em uma linguagem extremamente simples:

“… você comerá a sua comida (pão) até o ponto da satisfação, e [você] viverá com segurança na terra. Eu darei paz na terra para que você durma sem medo” (Vaykrah/Levítico 26: 5- 6).

A característica mais proeminente dessa visão do futuro é a paz, e tem sido a esperança e a oração dos judeus por milênios. Certamente, a promessa de que chegaria o dia em que viveriam como pessoas livres em sua terra natal é uma mensagem que fortaleceu e motivou, elevou e energizou não apenas o indivíduo, mas a nação como um todo.

A expressão específica de paz, porém, fala ao indivíduo: “Você vai dormir sem medo.” O estado emocional ou psicológico a que se refere é íntimo, quase visceral – o terror noturno que não dá trégua. Às vezes, o medo é irracional, produto de uma patologia psicológica; outras vezes, o medo é a reação lógica às realidades em questão. Ao longo da história judaica, um dos aspectos mais debilitantes do exílio era o próprio medo: o judeu no exílio frequentemente vagava, mas com mais frequência temia vagar. Nosso povo muitas vezes tinha a sensação coletiva de que estávamos construindo em areia movediça, nosso destino dependente da generosidade de um déspota inconstante. Como se nossas vidas estivessem sujeitas às mudanças dos ventos de uma tempestade iminente, a experiência judaica foi a de uma folha ao vento, em constante expectativa e medo de ser arrancada, de vagar em busca de abrigo. Como observou o historiador social Jacob Katz, “Não é uma lista do número de expulsões, sejam poucas ou muitas, que resume o período, mas sim o medo sempre presente e a possibilidade de despejo.”

A antítese desse pavor é a capacidade de dormir sem medo. É a certeza, ao abaixar a cabeça à noite, que chegaram a um lugar de permanência e segurança. As bênçãos que nos advirão se seguirmos os mandamentos demonstram a fascinante interação entre a saúde política de uma sociedade e a saúde psicológica dos indivíduos que vivem nessa sociedade: As bênçãos da paz em nível nacional chegam ao indivíduo e criam tranquilidade no nível mais íntimo e pessoal. Esta é a verdadeira paz.

O que nos leva ao elemento final dessa visão utópica: a satisfação. Essa bênção parece tão simples, mas suas implicações são de longo alcance. Novamente, a experiência é literalmente visceral: ficar satisfeito com nossa comida. Para qualquer pessoa que já passou por privações, essa bênção não é trivial. Para todas as crianças famintas do mundo – e, por falar nisso, adultos – tal bênção seria literalmente uma mudança de vida: “Que você nunca vá dormir com fome. Que sua comida o satisfaça e sacie.”

A satisfação, ou a falta dela, pode depender de duas causas díspares, uma objetiva e outra subjetiva. Uma das causas da insatisfação vem do reino físico das necessidades básicas do corpo. Se simplesmente não houver comida suficiente para suprir as necessidades de energia do corpo, ele não estará satisfeito. A outra causa está no reino da mente, que não está feliz com o que tem, apesar da realidade objetiva.

A maior parte de Parashat Bechukotai lida com as consequências desastrosas da rebelião. Se o povo judeu falhar em obedecer aos mandamentos de Deus, haverá dor, morte e exílio. No entanto, este aviso severo é precedido por uma descrição da existência utópica que nos espera se cumprirmos as leis da Torá. Este futuro brilhante e a nova sociedade que devemos construir são descritos em uma linguagem extremamente simples:

“… você comerá a sua comida (pão) até o ponto da satisfação, e [você] viverá com segurança na terra. Eu darei paz na terra para que você durma sem medo” (Levítico 26: 5- 6).

A característica mais proeminente dessa visão do futuro é a paz, e tem sido a esperança e a oração dos judeus por milênios. Certamente, a promessa de que chegaria o dia em que viveriam como pessoas livres em sua terra natal é uma mensagem que fortaleceu e motivou, elevou e energizou não apenas o indivíduo, mas a nação como um todo.

A expressão específica de paz, porém, fala ao indivíduo: “Você vai dormir sem medo.” O estado emocional ou psicológico a que se refere é íntimo, quase visceral – o terror noturno que não dá trégua. Às vezes, o medo é irracional, produto de uma patologia psicológica; outras vezes, o medo é a reação lógica às realidades em questão. Ao longo da história judaica, um dos aspectos mais debilitantes do exílio era o próprio medo: o judeu no exílio frequentemente vagava, mas com mais frequência temia vagar. Nosso povo muitas vezes tinha a sensação coletiva de que estávamos construindo em areia movediça, nosso destino dependente da generosidade de um déspota inconstante. Como se nossas vidas estivessem sujeitas às mudanças dos ventos de uma tempestade iminente, a experiência judaica foi a de uma folha empurrada, em constante expectativa e medo de ser arrancada, de vagar em busca de abrigo. Como observou o historiador social Jacob Katz, “Não é uma lista do número de expulsões, sejam poucas ou muitas, que resume o período, mas sim o medo sempre presente e a possibilidade de despejo.”

A antítese desse pavor é a capacidade de dormir sem medo. É a certeza, ao abaixar a cabeça à noite, que chegaram a um lugar de permanência e segurança. As bênçãos que nos advirão se seguirmos os mandamentos demonstram a fascinante interação entre a saúde política de uma sociedade e a saúde psicológica dos indivíduos que vivem nessa sociedade: As bênçãos da paz em nível nacional chegam ao indivíduo e criam tranquilidade no nível mais íntimo e pessoal. Esta é a verdadeira paz.

O que nos leva ao elemento final dessa visão utópica: a satisfação. Essa bênção parece tão simples, mas suas implicações são de longo alcance. Novamente, a experiência é literalmente visceral: ficar satisfeito com nossa comida. Para qualquer pessoa que já passou por privações, essa bênção não é trivial. Para todas as crianças famintas do mundo – e, por falar nisso, adultos – tal bênção seria literalmente uma mudança de vida: “Que você nunca vá dormir com fome. Que sua comida o satisfaça e sacie.”

A satisfação, ou a falta dela, pode depender de duas causas díspares, uma objetiva e outra subjetiva. Uma das causas da insatisfação vem do reino físico das necessidades básicas do corpo. Se simplesmente não houver comida suficiente para suprir as necessidades de energia do corpo, ele não estará satisfeito. A outra causa está no reino da mente, que não está feliz com o que tem, apesar da realidade objetiva.

O homem ocidental sofre agudamente com esse tipo de insatisfação, apesar de uma abundância de bens sem precedentes. Talvez seja simples ciúme; talvez outra pessoa tenha mais, talvez a deles seja melhor, ou talvez simplesmente queiramos o que não temos. Seja qual for a causa, a insatisfação do homem moderno causa-lhe uma dor muitas vezes tão profunda quanto as pontadas de fome experimentadas por uma criança em um país do terceiro mundo assolado pela seca. A dor psicológica pode ser tão debilitante quanto a dor física, se não mais; a bênção contida nos versos da Parashat Bechukotai aborda ambos.

Há alguns anos, sentei-me para comer com um colega. Antes de começarmos a comer, ele me abençoou, não com o costumeiro “bom apetite” ou o equivalente hebraico – bte’avon. Em vez disso, ele disse “la-sovah”: Que sua comida o satisfaça. Quando observei essa expressão um tanto incomum, ele explicou que se tratava de uma bênção que recebia diariamente de seu empregador, o

Além das três camadas de bênçãos encontradas em nossa parasha, há um elemento adicional que não deve ser esquecido – um elemento que mencionamos após cada refeição: “E você comerá, e ficará saciado, e abençoará a D’us pelo terra que Ele lhe deu. “ Neste versículo, encontrado no Livro de Devarim (Deuteronômio), somos ordenados a ir além da saciedade física, além da satisfação psicológica, e considerar os aspectos espirituais da comida que comemos. Não devemos esquecer que a fonte de nosso sustento é D’us.

Os israelitas que vagaram pelo deserto por quarenta anos devem ter tido uma perspectiva única sobre essa importante lição. A cada dia, eles erguiam os olhos e observavam enquanto seu alimento descia do céu. Esta comida era perfeita em todos os sentidos – nutritiva, satisfatória, perfeitamente adequada às suas necessidades e facilmente disponível em quantidades ilimitadas. Quando finalmente entraram na Terra de Israel e estabeleceram uma sociedade agrária, foram chamados a reter a certeza absoluta que haviam alcançado no deserto, de que o sustento vem de D’us, apesar de terem que trabalhar pelo pão de cada dia. Em sua nova sociedade agrícola, os israelitas se tornariam parceiros em seu próprio destino. Eles compartilhariam a responsabilidade por seu sustento e se tornariam efetivamente parceiros de D’us. Essa parceria é a fonte de bênçãos que eles não puderam experimentar quando sobreviveram de maná – as bênçãos da Parashat Bechukotai. Esta parceria é a fonte de verdadeira satisfação, verdadeira estabilidade – e verdadeira paz.

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