Congregação Judaica Shaarei Shalom – שערי שלום

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Os judeus de origem sefardita, geralmente cristãos novos em Portugal que se refugiaram nos Países Baixos e posteriormente no BrasilCara do livro: Arrancados da terra: Perseguidos pela Inquisição na Península Ibérica, refugiaram-se na Holanda, ocuparam o Brasil e fizeram Nova York Holandês, após a reconquista das capitanias de Pernambuco, Itamaracá, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará pelas forças luso-brasileiras, tentaram fugir das garras sedentas da inquisição que acompanhava a reconquista. Era necessário fugir. Alguns optaram por retornarem aos Países Baixos. Outros partiram em direção a pequena ilha que viria a ser Nova York um dia. O que chama mais a atenção, por sua vez, é o refúgio que muitos encontraram no sertão nordestino. Segundo Neto:
“Após a reconquista portuguesa do Recife, muitos judeus e cristãos-novos convertidos ao judaísmo no Nordeste brasileiro não puderam ou não quiseram partir do país. Embrenharam-se sertões adentro. Retornaram ao catolicismo ou desenvolveram alguma espécie de cripto judaísmo, longe do litoral e dos olhos dos espiões do Santo Ofício. Fato que não impediu, nos nos seguintes, que alguns deles fossem apanhados e enviados a Lisboa, como atestam os processo nos arquivos da Torre do Tombo, em Portugal.
Há indícios de costumes judaicos diluídos na cultura popular nordestina, a exemplo de rituais fúnebres de lavagem de defuntos, sepultamentos em terra limpa (em simples mortalhas, em vez de caixões), pedras postas sobre o túmulo, águas derramadas do pote de barro no caso de falecimento de algum morador. Há quem identifique ainda resquícios judaicos mesmo na prática sertaneja de não varrer o lixo da casa em direção às portas da rua. Seria um vestígio da obrigação de não profanar o mezuzá, o rolo de pergaminho com versículos bíblicos afixados no umbral da entrada do lar judeu. Especula-se até mesmo que o modo rural de abater galinhas – degolando-as ainda vivas, com um único golpe, deixando o sangue escorrer para depois ser enterrar no chão – guarda alguma relação com os princípios da Kashrut, as leis alimentares prescritas pela Torá. Dissolvidos no imaginário coletivo, tais hábitos perderam a função original, embora continuem a ser praticados em nome de uma tradição da qual não se conhece os sentidos de origem” (P.304-5)
NETO, Lira. Arrancados da terra. Perseguidos pela Inquisição na Península Ibérica, refugiaram-se na Holanda, ocuparam o Brasil e fizeram Nova York. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.

8 respostas

    1. Respondendo sua pergunta, a resposta é sim. Segundo o livro Dicionário Sefaradi de Sobrenomes, o seu sobrenome é de origem sefardita, tendo sido encontrado registros de judeus com este sobrenome na cidade de Covilhã, em Portugal. Também foi encontrado registro de judeus com os sobrenomes “de Estela” e “Estelha” nas cidades de Covilhã, Guarda, Vila Real, Lamego e Toledo, sendo esta última cidade na Espanha. Os mais antigos registros são posteriores ao ano de 1492. Há uma relação deste sobrenome com a região da Serra da Estrela, em Portugal, que é um acidente geográfico que domina a região onde estão as cidades de Covilhã, Belmonte (famosa judiaria portuguesa) e Guarda.
      Por fim, agradecemos sua participação e recomendamos a obra para descobrir mais fatos maravilhosos sobre a nossa história.
      “I ki tengamosh todos mosotros una semanada buena i klara.”

    1. Agradecemos o seu comentário e sua participação.
      Infelizmente, não realizamos pesquisas genealógicas em nossa esnoga devido à falta de profissionais especializados entre nossos filiados.
      Entretanto, existem registros de sobrenomes sefarditas de todos os citados pelo senhor. Por outro lado, apenas o sobrenome é insuficiente para determinar de forma confiável a ascendência judaica sefardita, dado o alto grau de miscigenação e pela histórica prática de adoção de sobrenomes, que foi muito comum aqui no nosso País.
      Para haver uma confirmação, se faz necessário a realização de pesquisa genealógica, preferencialmente com profissionais especializados.
      Se desejar maior detalhamento nessa pesquisa, recomendamos a excelente obra DICIONÁRIO SEFARADI DE SOBRENOMES, de autoria de Gilherme Faiguenboim, Paulo Valadares e de Anna Rosa Campagnano, editado pela Editora Sefer. Certamente o senhor se surpreenderá com o detalhamento da pesquisa e certamente dará elementos muitos importantes para iniciar uma pesquisa genealógica.

  1. Olá! Minha família é oriunda do Rio Grande do Norte e tem esses costumes herdados dos cristãos novos. O mais curioso deles é a mudança de sobrenome, que só parou lá para a década de 1940. Meu sobrenome e o da família é Alves, mas já foi: Macedo, Lopes, Amaral, Santos…
    Eu vou ler a obra, porque muito me interessa a temática, afinal é a minha história. Obrigada por compartilhar esse trabalho e reconhecer essa parte esquecida.

    1. Agradecemos o seu comentário e sua participação.
      De fato, existem registros de sobrenomes sefarditas de todos os citados pela senhora. Entretanto, apenas o sobrenome é insuficiente para determinar uma ascendência judaica sefardita, dado o alto grau de miscigenação e pela histórica prática de adoção de sobrenomes, que foi muito comum aqui no nosso País.
      Para haver uma confirmação, se faz necessário a realização de pesquisa genealógica, preferencialmente com profissionais especializados.
      Se desejar maior detalhamento nessa pesquisa, recomendamos a excelente obra DICIONÁRIO SEFARADI DE SOBRENOMES, de autoria de Gilherme Faiguenboim, Paulo Valadares e de Anna Rosa Campagnano, editado pela Editora Sefer. Certamente a senhora será surpreendida com o detalhamento da pesquisa e certamente dará elementos muitos importantes para iniciar uma pesquisa genealógica.

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