Congregação Judaica Shaarei Shalom – שערי שלום

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  1. Introdução – Pogrom nazista organizado contra a comunidade judaica na Alemanha e na Áustria em 9 de novembro de 1938. Em alemão, é chamado de “Kristallnacht”. O nome deriva das vitrines de lojas e vitrais de sinagogas destruídos naquela noite pela turba nazista. É considerado por vários historiadores como o prenúncio do Holocausto.

A Noite dos Cristais foi uma represália organizada pelo governo nazista ao assassinato do diplomata nazista Ernst von Rath, em Paris, por Hershel Grynszpan, jovem judeu, cuja família havia sido expulsa da Alemanha em 1938. O diplomata foi baleado dentro da embaixada alemã, em 7 de novembro. Foi socorrido, mas morreu dois dias depois. Joseph Goebbels, o ministro da propaganda de Adolf Hitler, pretendia fazer do caso uma evidência da “guerra que os judeus travavam contra o 3º Reich”.

A morte de Von Rath ocorreu no mesmo dia em que os nazistas comemoravam o 15º aniversário do Putsch de Munique, a primeira tentativa do partido de chegar ao poder, e que tornou Hitler conhecido na Alemanha. Tratava-se de uma das datas mais importantes no calendário nazista. Discursando na mesma cervejaria em Munique de onde Hitler e seus comparsas partiram para tentar dar o golpe em 1923, Goebbels incitou os dirigentes do partido e das SA (a tropa de choque do Partido Nazista) a vingar o assassinato de Von Rath e atingir os judeus.

O principal organizador dos ataques foi Reinhard Heydrich, chefe dos serviços de segurança do partido nazista (e que mais tarde comandaria a aplicação da Solução Final). Heydrich deu ordens para que os soldados da SA se vestissem à paisana, para que o movimento parecesse ser espontâneo. Em apenas uma noite, 91 judeus foram mortos, 30 mil foram presos e enviados a campos de concentração.

Quase 8 mil lojas e comércios pertencentes a judeus e mais de 200 sinagogas na Alemanha e na Áustria foram destruídas. Não bastasse a violência, o governo nazista cobrou da comunidade judaica uma indenização de 1 bilhão de marcos pela destruição causada pelos seus próprios agentes.

A selvageria do ataque assustou a opinião pública mundial na época e causou uma onda de emigração judaica. Grynszpan, o jovem que matou Von Rath, ficou sob custódia das autoridades francesas até 1940, quando foi entregue à Gestapo após a invasão da França pela Alemanha. Seu destino exato é desconhecido. Em 1960 o governo da então Alemanha Ocidental o declarou “legalmente morto”. Suspeita-se de que tenha morrido em uma prisão nazista entre os anos de 1944 e 1945. [1]

  1. Kristallnacht (Noite dos Cristais – 1938) – O ensaio do Holocausto – A noite das vitrines destruídas

Nesta noite em 1938 e durante o dia seguinte – no dia 9 de Novembro no calendário secular, (15 de Cheshvan no calendário hebraico) – os nazis coordenaram cruéis pogroms contra a comunidade judaica da Alemanha. Encorajados pelos seus líderes, os desordeiros atacaram e espancaram moradores judeus, incendiaram e destruíram 267 sinagogas, vandalizaram 7.500 lojas de judeus, e saquearam incontáveis cemitérios, hospitais, escolas e casas judaicas, enquanto a polícia e os bombeiros assistiam. Noventa e um judeus foram mortos e 20.000 deportados para campos de concentração.

Estes pogroms, que coletivamente passaram a ser conhecidos como a “Noite dos Cristais Partidos”, referindo-se às milhares de janelas que foram quebradas, e foi a partir daqui que a política anti-judaica nazi se intensificou. A noite das vitrines destruídas.

Na noite de dez de Novembro de 1938, a pretexto de vingar um atentado cometido em Paris contra um diplomata nazi, o governo hitlerista estimulou que seus milicianos dessem início a um colossal pogrom contra a comunidade judaica alemã. Mal sabia o mundo que aquele acontecimento seria um ensaio para o Holocausto.

Um assassinato – “Eu não gostaria de ser judeu na Alemanha.” H.Goering, 12 de Novembro de 1938

Quando na manhã de dez de Novembro de 1938 a viúva Susannah Stern, de 81 anos, atendeu às batidas na porta da sua casa na pequena Elberstadt, um lugarejo no interior da Alemanha, provavelmente intuíra que não se tratava de boa coisa. Era um dos seus vizinhos, um fazendeiro chamado Adolf Frey, convertido em chefe da milícia nazi local. Ele e mais alguns partidários que o seguiam pediram-lhe, sem cerimónias, que vestisse qualquer coisa e os acompanhasse. A velhinha negou-se, não sairia do lar! Frey impaciente renovou a ordem. De nada serviu.

Foi então que ele disparou o primeiro tiro no peito e Susannah caiu no sofá. Seguiu-se um outro na cabeça. Depois de revistar a casa, ao sair, deu-lhe mais um na testa, bem entre os olhos. A pobre senhora Stern tornou-se assim uma das tantas outras vítimas do pogrom nazi da Kristallnacht (a noite dos cristais).

O cenário na manhã seguinte era este – Um gigantesco pogrom

Na contabilidade dos assassinos somaram-se outros 90 mortos, justificados por eles como uma operação de vingança pelo atentado sofrido pelo diplomata alemão Ernst von Rath, que havia sido morto em Paris, baleado uns dias antes por um jovem judeu. Naquela noite terrível, 5.700 estabelecimentos judaicos foram depredados e muitos deles completamente destruídos pelas chamas. Em Berlim, turbas de milicianos da SA assaltaram as grandes sinagogas das ruas Farnese, Oranienburg e a da Levetzow, incendiando-as e deixando-as quase que demolidas. Na Alemanha inteira profanaram outras 177 mais. O tilintar daquelas vidraças quebradas encantou Goebbels. Aquela barulheira foi música para os ouvidos do Ministro da Propaganda do Reich, e o principal responsável por ter instigado aquele desvario junto a Hitler. “Bravo! Bravo!” – registrou ele no seu diário. Goebbels, exultante, chamou aquele dilúvio de ódio de “uma autêntica manifestação da ira popular.”

Extorsão aos judeus – Enquanto isso seu rival, Hermann Goerig, o Ministro do Interior, ordenava à Gestapo e à SD (*) de Reinhart Heydrich que fizessem detenções em massa. Selecionaram então uns 30 mil judeus tidos por endinheirados e levaram-nos presos. Exigiram duas condições para liberá-los: que se comprometessem a sair do país ou que transferissem os seus bens para o governo nazi. Acreditando que o sofrimento fora pouco, Goering ainda exigiu um tributo de um bilhão de marcos para deixar a comunidade judaica em paz.

A seguir vedou aos judeus frequentar as escolas e os parques públicos. Foi assim, num repente, que o mundo civilizado, ainda chocado, tomou conhecimento de que as antigas práticas medievais, que se pensava terem sido sepultadas, renasciam na Alemanha nazi. Dos 525 a 564 mil judeus que existiam na Alemanha em 1933, ou seja 0,93% da população, a metade conseguiu emigrar nos anos seguintes. Mas para os que ficaram só lhes restou o inferno.

A nau dos desesperados – Para se safar da onda de críticas que atingiu o governo nazi, Goebbels, aquele anão mau e cínico, permitiu que um navio com judeus saísse pelo Atlântico a fora, ao d’us-dará, em busca de abrigo. Ninguém os acolheu. Os governos dos outros países temiam de que se os aceitassem, se deixassem os judeus desembarcar, os nazis os poriam para fora aos magotes. Além disso vivia-se ainda sob os efeitos da grande depressão dos anos 30, onde uma parte considerável da população operária estava desempregada, não havendo muita simpatia para com refugiados. Depois de muitas voltas o governo belga deu-lhes proteção.

Um prenúncio da catástrofe – Os altos hierarcas do III Reich interpretaram a negativa do acolhimento dos passageiros daquela nau de desesperados como uma espécie de indiferença do mundo em relação ao destino que eles resolvessem dar aos judeus no futuro. Assim, logo que a guerra eclodiu, menos de um ano depois, preparam-lhes o caminho para o cadafalso.

Na história, por vezes, as grandes tragédias são previamente anunciadas por outras de menor dimensão que lhe servem por assim dizer como um experimento vivo do que irá ocorrer em breve. Da mesma forma que a guerra civil espanhola de 1936-9 anunciou a Segunda Guerra Mundial, a “Noite dos Cristais” de 1938 prenunciou o Holocausto de 1941-45. [2]

III. Alemães relembram a ‘Noite dos Cristais’(DA ASSOCIATED PRESS, EM BERLIM 09/11/2013): Alemães relembraram hoje por todo o país o 75º aniversário da “Noite dos Cristais” (Kristallnacht), a “noite dos vidros quebrados”, durante a qual os nazistas fizeram uma onda de ataques contra judeus na Alemanha e na Áustria.

Na noite de 9 de novembro de 1938, centenas de sinagogas foram queimadas e muitas casas e lojas que pertenciam a judeus foram saqueadas. Cerca de mil pessoas foram mortas, e mais de 30.000 judeus acabaram sendo enviados para campos de concentração. Os ataques marcaram o início da organização pelo Estado da violenta perseguição aos judeus, que resultou no assassinato de cerca de seis milhões de judeus europeus até o final do Terceiro Reich, em 1945.

Em várias cidades e vilas, alemães fizeram vigílias à luz de velas, ouviram judeus sobreviventes relatarem suas memórias e se reuniram em cemitérios judaicos para lembrar as vítimas dos ataques.

Para a chanceler Angela Merkel, o evento de 1938 “humilhou judeus de uma forma inacreditável”. “Foi um dos pontos mais baixos na história da Alemanha”, disse.

“Infelizmente”, acrescentou a chanceler, “mais tarde, a história alemã desenvolveu um caminho ainda mais dramático, que terminou com a Shoah, ou Holocausto”. Merkel pediu que os alemães nunca esqueçam o passado.

Em Berlim, grupos guiados por moradores caminharam através de seus bairros, conhecendo locais onde lojas, escolas e outros locais judeus funcionavam antes de serem destruídos pelos nazistas.

Vários berlinenses reuniram-se para polir algumas das 5.000 “Stolpersteine”, placas espalhadas pelas calçadas da cidade que identificam pelo nome as vítimas de nazistas em frente a seus antigos lares. As placas de latão incrustadas nas calçadas são chamadas de “pedras de tropeço”, porque as pessoas que passeiam pela cidade acabam tropeçando nelas.

“Organizamos 16 grupos que estão hoje limpando as placas. E pretendemos transformar isso em um evento anual no futuro”, disse a coordenadora dos passeios, Silvija Kavcic.

Apesar das muitas atividades positivas, organizadores lançaram uma nota de cautela, lembrando que o antissemitismo ainda é um problema na Europa.

Uma pesquisa divulgada ontem mostrou que 76% dos europeus acreditam que o antissemitismo está crescendo em seus países. [3]

Fontes: [1] CONIB – http://www.conib.org.br/glossario/Noite%20dos%20Cristais

[2] Eterna Sefarad; http://zivabdavid.blogspot.com/2012/10/kristallnacht-noite-dos-cristais-1938.html

[3] https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/11/1369348-alemaes-relembram-a-noite-dos-cristais.shtml

Coordenador: Saul S. Gefter

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