Congregação Judaica Shaarei Shalom – שערי שלום

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  1. Judaismo e Liberdade – A Reencarnação no Judaísmo – Em junho de 2011 foi publicado na seção “Mitos no Judaísmo III” na Rua Judaica um mito sobre reencarnação. Devido a quantidade de emails que recebemos para aprofundarmos no tema, vamos publicar o tema novamente, com uma visão mais profunda. O mito: – O judaísmo não preconiza o conceito de a vida após a morte e não considera viável a reencarnação. Mentira: A base do judaísmo e da prática da Torah gira em torno da continuidade espiritual em uma outra dimensão. Segundo a Torah, em inúmeras fontes, Deus decide quantas chances, e quantas reencarnações, cada pessoa terá para completar sua meta. Neste mundo tudo permanece oculto — aquele que faz uma mitzvá (cumpre um ato positivo), ou uma averá (uma transgressão) permanece idêntico na superfície; não é possível distinguir pela face quem é um assassino e quem é um benfeitor. A própria palavra em Hebraico para “mundo” — OLAM — vem da raíz NEELAM, que significa oculto.

Uma visão mais profunda: REENCARNAÇÃO – Uma alma poderá regressar a este mundo diversas vezes, em diferentes corpos, e assim poderá consertar o que a prejudicou em vidas anteriores, ou completar qualquer assunto que tenha ficado pendente. No final de todo este caminho, depois de todas as reencarnações, a alma será julgada de acordo com sua atuação em todas as vidas e situações que viveu em cada uma delas. Certas condições em que uma pessoa se encontra em sua vida atual podem ter sido determinadas por atos cometidos em outras vidas.  A propósito, esta é uma das explicações para o fenômeno aparentemente injusto do sofrimento que ocorre com as pessoas justas (Livro Derech Hashem, do cabalística Chaim Luzzatto, parte 2 cap.3). Está escrito no Zohar (Zohar Chadash, Ki Tetsê) — possivelmente serão decretadas algumas dificuldades na vida do ser humano que em sua vida anterior não tenha sido tão justo.

Em alguns casos a alma regressará a este mundo com um novo corpo para fazer determinados reparos; mas também existe a possibilidade de que uma alma seja restaurada no próprio plano espiritual, tornando desnecessária a reencarnação (Zohar, Sh’lach Lechá 162a).  D´us poderá dar uma nova oportunidade para a alma regressar e concretizar o objetivo destinado originalmente. Porém, certas condições serão impostas à nova jornada. Estas condições serão necessárias para retificar os atos realizados na encarnação anterior. Ao deparar-se com dificuldades em sua vida atual — concedida como uma oportunidade de reparar o dano em sua vida anterior — deve-se ter sempre em mente que o mérito de cada ato será proporcional ao esforço exigido em sua realização. Estas dificuldades exigirão da pessoa um acréscimo de esforço para superá-las. E, evidentemente, o reparo para sua alma também será maior, chegando a poder retificar todo o mal causado em sua vida anterior.

Quantas vezes uma alma pode reencarnar? A alma de uma pessoa que não teve o mérito de cumprir sua missão em vida poderá regressar outras três vezes em outros corpos, porém a alma de um tsadik (o justo, que cumpriu sua missão) não necessita reencarnar (Marshá Shabat 152,153). No entanto, caso esteja faltando algum tipo de complemento na sua função, a alma de uma pessoa justa poderá também reencarnar (Ari Z”l). Se, em sua quarta vida — ou seja, em sua terceira reencarnação — a pessoa ainda não se retificou, ela será desqualificada para sempre. Isto acontecerá somente se não houver absolutamente nenhuma modificação à sua alma durante seus períodos de vida. O menor indício de que tenha sido iniciado, em alguma das três reencarnações, a retificação da alma, já é suficiente para eliminar a possibilidade da desqualificação, abrindo-se daí em diante um novo leque de reencarnações, no qual se pode regressar por um número indefinido de vezes. (Ari Z”l, Shaar Haguilgulim,4)

Quem não conhece o conceito da reencarnação poderá surpreender-se com a existência de pessoas que, aparentemente, nunca fizeram nada de errado e que, no entanto, não desfrutam de nenhuma tranqüilidade em suas vidas. Para enfatizar este conceito, nossos Sábios transmitiram a noção de que o nascimento dos filhos, o tempo de vida e a fonte do sustento de alguém não dependem diretamente de seus esforços, mas serão pré-estabelecidos segundo a função que se terá de exercer durante a sua vida. (Zohar Pinchas 216). Por exemplo, certas crianças nascem com alguma deficiência física, com problemas de saúde ou com um nível de pobreza excessivo como conseqüência de sua vida anterior. (Chafets Chaim, Parashat Haazinu). A alma de um justo às vezes não completa a sua função, e necessita reencarnar. Seu cônjuge, a sua alma gêmea, também deverá voltar ao mundo.  Caso aconteça que esta alma retorne sem sua alma gêmea, ela não terá boas condições na nova vida (Tikunei Zohar 69, folha 100b).

Uma pessoa que matou alguém poderá trazê-la de volta em outra encarnação, como seu filho por exemplo. Assim, da mesma que ela o tirou deste mundo terá de fazê-lo regressar. (Ramak no livro Shiur Chochmá).  Uma pessoa que roubou algo e não devolveu, os dois poderão voltar em uma nova encarnação, e o furto será reembolsado (Gaon de Vilna, Mishlei 14,25). A alma da pessoa que roubou não terá conserto até que reembolse o furto. (Chafets Chaim, Sfat Tamim cap.4)

O Sábio Chaim Vital Z”l escreveu que o seu mestre Ari Z”l lhe revelou suas encarnações anteriores, e aquilo que ele viera consertar nesta nova encarnação. Explicou, baseando-se em suas vidas anteriores, passagens importantes de sua vida atual, e também certas características pessoais encontradas nele próprio como conseqüência de suas outras vidas, e de que maneira estava retificando cada uma delas em sua nova encarnação. (Shaarei Emuná página 169-172) . Quando o objetivo da pessoa nesta nova encarnação é cumprido, já não é necessário que ela siga vivendo. Explica-se aqui que a morte não é um acontecimento ao acaso (Shaarei Emuná 165, com.4). Uma pessoa que veio ao mundo com um objetivo específico pode acabar partindo mesmo estando jovem, pois todo o objetivo de sua vinda a este mundo era o de completar aquilo que estava faltando (introdução Shaar Haguilgulim em nome do bem Ish Chai).

Nossos Sábios nos ensinam (livro Michtav MeEliahu, parte 4, página 120) que, hoje em dia, praticamente todos nós somos reencarnações, ou seja, quase todos nós já vivemos em outra (ou outras) vida(s), e regressamos para completar o que não foi feito, ou reparar o que foi feito indevidamente. Como poderemos saber o que viemos consertar e assim aproveitar esta nova oportunidade que nos foi dada? Através de dois sinais podemos perceber a resposta: a. Tentar localizar qual é a transgressão (ato proibido pela Torá) que tendemos a cometer muitas vezes. É preciso realizar um trabalho de auto-aprimoramento para elaborar este aspecto; b. Pensar qual foi a transgressão cometida em que o desejo de transgredir tenha sido muito forte; pois, uma vez acostumada a cometê-la durante a vida anterior, ela passou a fazer parte da sua natureza. Existe outro sinal que pode ajudar a informar a quê viemos. Ao perceber um desejo especial em cumprir um mandamento específico, ela pode concluir que justamente nesse tema pode haver falhado em sua vida anterior, e que tenha recebido uma nova chance para completar sua missão. Não se deve desistir de cumprir este mandamento, e sim cumpri-lo de forma completa. Vários obstáculos aparecerão para criar dificuldades, porém a pessoa deve vencê-los e seguir firme em seu caminho. (Shevet Mussar cap.1, 13 e 14). Para permitir a reparação dos erros cometidos em sua vida anterior, a pessoa será posta à prova nesta encarnação nos mesmos temas em que falhou anteriormente e, caso consiga passar pelas provas com êxito, também consertará o erro cometido em sua vida anterior. (Shaarei Emuná 170 comentário 10).

PRIMEIRO ARTIGO SOBRE O ASSUNTO PUBLICADO EM JUNHO DE 2011 NA RUA JUDAICA: O judaísmo não preconiza o conceito de a vida após a morte e não considera viável a reencarnação.

Mentira: A base do judaísmo e da prática da Torah gira em torno da continuidade espiritual em uma outra dimensão. Segundo a Torah, em inúmeras fontes, D´us decide quantas chances, e quantas reencarnações, cada pessoa terá para completar sua meta. Neste mundo tudo permanece oculto — aquele que faz uma mitzvá (cumpre um ato positivo), ou uma averá (uma transgressão) permanece idêntico na superfície; não é possível distinguir pela face quem é um assassino e quem é um benfeitor. A própria palavra em Hebraico para “mundo” — OLAM — vem da raíz NEELAM, que significa oculto.

(Adaptado do livro “O Místico” especialmente a Rua Judaica, por Fernando Bisker, Miami,EUA) [1]

  1. Imortalidade e a alma – O homem é uma combinação de dois elementos diversos: corpo e alma. A alma é a verdadeira razão de nossa existência. É esta centelha Divina que se constitui na essência de nossa vida interior. Apesar de ser o homem composto de matéria e espírito, seu corpo é somente o invólucro material dessa faísca Divina. Além disso, é a alma que reflete diretamente nossa relação com D’us, pois, como está escrito, “a chama de D’us é a alma do homem” (Provérbios, 20:27).

Podemos comparar a alma à chama de uma vela. Quando acesa, sobe, percorre o ar, mas o pavio a puxa de volta à terra. Da mesma forma, enquanto a alma está em constante movimento ascendente, em direção a D’us, o corpo, com suas exigências físicas, a retém neste plano físico. Uma pessoa íntegra e saudável é aquela em quem alma e corpo convivem unidos, em perfeita sintonia; é aquela que consegue atingir uma harmonia entre o seu lado material e o espiritual, alguém que consegue levar uma vida espiritualmente significativa e, ao mesmo tempo, produtiva.

Tipos de alma – O homem tem dois tipos de alma: a “alma animal” (Nefesh HaBehamit), faísca de D’us contida no sangue, a dizer, nos processos da vida químico-fisiológica, é responsável pelos sentimentos e pela inteligência natural do ser humano. Está escrito na Torá: “A força vital da carne está no sangue” (Levítico, 17:11). Como esta “alma animal”, para atender suas necessidades materiais, afasta o homem do plano espiritual, é chamada no Talmud, de “má inclinação” (Yetzer HaRá). Este tipo de alma não existe somente no homem, mas em todas as criaturas vivas. Transmitida através do material genético no momento da concepção, expande-se constantemente à medida que a criatura amadurece. Conseqüentemente, a inteligência das diversas espécies animais varia muito de uma espécie a outra.

O intelecto do ser humano é muito diferente do intelecto dos animais, e sua “alma animal” é responsável por atributos e faculdades distintos como: imaginação, memória, inteligência e vontade. Além desse “eu” material, o homem possui também uma alma que é única entre todas as criações Divinas. Ao descrever a criação de Adão, diz a Torá: “D’us formou o homem da poeira da terra, e depois soprou em suas narinas a alma da vida – Nishmat Chaim”. O homem, então, tornou-se uma criatura viva – Nefesh Chayá (Gênese, 2:7). A Torá está-nos indicando que a alma humana veio diretamente da Essência mais íntima de D’us. O restante da Criação, por sua vez, foi criado por D’us através da Palavra Divina, que é de um nível inferior, pois assim como as ondas sonoras são geradas por uma pessoa mas não constituem a própria pessoa, da mesma forma o restante da Criação emana do Poder de D’us, mas não de Sua Essência.

Este segundo tipo, a “alma divina”, é uma entidade espiritual muito diferente e mais elevada que a alma “animal”. É a “divina” que dirige a “animal” – nosso lado material – e é através dela que a alma, como um todo, cumpre suas funções e sua missão na terra. Em cada momento da vida do homem neste mundo físico, interagem o lado espiritual e material, um influenciando o outro. O contato e a atração mútua entre o corpo e a alma criam uma contingência, uma situação única, gerando a pessoa humana, que não é nem só corpo nem só alma, mas uma fusão dos dois. A “alma divina” é freqüentemente denominada “entidade singular” por ser única em sua missão. Pois, apesar de todos os laços que unem cada alma individual à sua Fonte Superior, cada uma dessas é única e especial em sua essência, em sua capacidade e naquilo que delas se exige. Não há duas almas que coincidam quanto aos atos, funções e caminhos que percorrem.

Os cinco níveis da alma – A alma não é algo concreto; está além daquilo que o intelecto consegue compreender por si próprio. A Cabalá explica que o que comumente chamamos da “alma” de um homem consiste, de fato, de várias “almas”. Não é um ponto único no espaço e deve ser entendida não como uma única “existência” que tem uma qualidade ou caráter, mas como muitas “existências”, de vários níveis espirituais. Podemos dizer que, na realidade, em cada homem há um determinado número de níveis de almas, unidas como os elos de uma corrente que se estende do corpo da pessoa até a Fonte de todas as almas. A ligação entre corpo e alma pode ser comparada com o que acontece na extremidade de um raio de luz, ao iluminar um corpo escuro.

O “eu” que surge da relação entre o corpo e a alma não é algo constante de uma essência especifica, é diferente em cada estágio da vida de um homem. Por exemplo, no início de nossa existência, o “eu” concentra-se quase que totalmente no corpo e em suas necessidades.

Com o amadurecimento, a pessoa se torna cada vez mais consciente da essência mais elevada de sua alma. Segundo a Cabalá, o que chamamos de alma humana é composto por cinco partes:

1) Nefesh -“alma animal”, é a alma humana em seu nível mais primário. Anima a existência dando-lhe força de vida, de movimento e propagação das espécies, também capacitando o homem a pensar, divagar e sonhar. A palavra deriva da raiz Nafash, que significa repouso, como no verso, “No sétimo dia, (D’us) cessou o trabalho e descansou (Nafash)” (Êxodo, 31:17).

2) Ruach – que significa vento, é o Espírito, a “alma divina”.

3) Neshamá, literalmente “sopro”, é a Respiração, a “alma superior”, mais pura ainda.

4) Chayá, a Essência vivente.

5)Yechidá, a Essência única, pode ser considerada o ponto de contato entre a alma e a própria essência do Divino. Esta alma só se manifesta ao término do Yom Kipur, durante a Neilá.

Essas almas mais elevadas referem-se à verdadeira essência humana e sua associação com D’us, Raiz Suprema, e com os mundos espirituais. Este conceito inclui também a alma adicional, que chega no início do Shabat e se vai, ao seu término. Nossos sábios ensinam que o ato de D’us, ao insuflar a alma em um corpo, pode ser comparado ao do artesão que sopra o vidro para dar forma a um recipiente. A alma, Neshamá, deixa os lábios d’Ele, viaja como o vento, Ruach, até finalmente descansar, Nefesh.

Dos três níveis, a Neshamá é o mais elevado e, portanto, mais próximo a D’us. Enquanto Nefesh é aquele aspecto da alma que reside no corpo, Ruach fica entre os dois, vinculando o homem à sua Fonte Espiritual. É por essa razão que a Inspiração Divina é chamada Ruach Hakodesh, em hebraico. A Neshamá é movida apenas pelo pensamento; Ruach pela fala e Nefesh pela ação.

A imortalidade da alma – Um dos fundamentos do judaísmo é a crença na imortalidade da alma, na vida após a morte. Se acreditamos na Justiça Divina, conseqüentemente acreditamos também na imortalidade da alma. De que outra forma poder-se-ia conciliar o fato de tantas pessoas justas sofrerem nesta vida? Da mesma forma que, antes de seu nascimento, uma criança já possui muitas qualidades que não lhe são úteis no ventre materno, mas indicam que nascerá em um mundo onde virão a ser utilizadas, o ser humano possui muitas qualidades que lhe são de pouca valia durante esta vida. Isto indica que após sua morte física, o homem renascerá em uma dimensão superior (Sh’nei Luchot HaB’rit, BeAssará Maamarot 1:63b, nota. Ver Gesher Ha Chaim, 3:1-2).  Detalhes da imortalidade não são mencionados na Torá, já que a Revelação trata apenas do mundo atual.

No entanto, quando o profeta Isaías fala sobre o Mundo Vindouro, diz: “Porque em tempo algum se ouviu, jamais os ouvidos se aperceberam nem os olhos viram outro D’us além de Ti, que realizas em favor daqueles que em Ti acreditam” (Isaías, 64:3). Isto significa que nem mesmo aos maiores profetas foi dada permissão de antever a recompensa dos justos.

A partida da alma – Ensinam nossos sábios que todas as almas foram criadas no início dos tempos e estão armazenadas como parte do “tesouro celestial” até o momento de um nascimento. A alma é vinculada ao corpo desde o momento da concepção e nele permanece até o final da vida física desse corpo. Por isso, em hebraico, fala-se da morte como a “partida da alma” (Yetziat haNeshamá). Nesse momento, após ter completado sua jornada terrena, a alma procura retornar à sua Fonte.

No judaísmo o corpo do homem não é meramente um objeto, mas parte da própria pessoa. Por isso, temos a obrigação de enterrar e honrar o corpo, mesmo após a alma o ter deixado. Nossos sábios ensinam que imediatamente após a morte, a alma encontra-se em um estado de grande confusão. Daí o costume de se permanecer ao lado de uma pessoa em seus últimos momentos: para que não esteja sozinha ao enfrentar a derradeira partida. (Turei Zahav, Yorê Deá, 339: 3) Itzur Shulchan Aruch, 194:4). A Cabalá ensina que nesse momento de desligamento, a alma está totalmente ciente das limitações físicas de seu corpo. Isto ocorre mais intensamente antes do enterro. A alma, então, literalmente vela por aquele corpo que era “seu”, durante sete dias. Isto foi dito por Jó, no verso … “E só por ele sofre sua alma” (14: 22).

O julgamento da alma – de fato a avaliação espiritual de sua atuação durante a vida na esfera terrena – ocorre durante o primeiro ano após a “partida”. É este o motivo pelo qual os homens recitam o Kadish no primeiro ano após a morte do pai ou mãe. Pela mesma razão, quando é mencionado o nome dessa pessoa, durante o primeiro ano do luto, deve-se dizer: “Que eu possa servir de expiação por seu descanso final” (Hareni Kaparat Mishkavó-á). O julgamento principal após a morte ocorre em Gehinam, esfera onde, para poder receber a recompensa eterna, a alma é “branqueada” e purificada em “fogo espiritual”. Sabemos que a idéia de inferno eterno não é um conceito judaico, mas cristão.

Somente as almas dos tzadikim, os justos, têm condições de ascender rapidamente pela dimensão espiritual e atingir níveis espirituais elevados. Neste tocante foi dito ao profeta: “Se andares nos Meus caminhos e observares os Meus preceitos, também tu julgarás … e Te darei livre acesso entre os anjos que aqui se encontram” (Zacarias 3:7). Com isto, D’us fazia ver ao profeta a visão dos anjos como estacionários e dizia que ele poderia mover-se entre eles. Isto está mencionado também no verso, “E o pó retorne à terra, de onde veio, e o espírito retorne a D’us, que o concedeu” (Eclesiastes, 12: 7).

Ademais, enquanto os anjos estão limitados a seu próprio nível, os homens, através de seus atos, podem “mover-se” e ascender espiritualmente.

Algumas autoridades religiosas afirmam que aquilo que os Sábios chamam de Olam HaBá, ou Mundo Vindouro, refere-se à dimensão espiritual à qual a alma ascende após deixar o corpo. A maioria entretanto considera Olam HaBá, um estágio novo e completo da vida terrena, ao qual o homem será conduzido somente após a Era Messiânica e a Ressurreição dos Mortos. Todas as almas dos falecidos passam, após a morte, para uma dimensão intermediária chamada Olam HaNeshamot, “Mundo das Almas”. É lá que são julgados e permanecem até a Ressurreição e o Juízo Final.

A reencarnação: retificando os erros – Quando uma alma deixa seu corpo, adentra esse Mundo das Almas, onde permanece, em estado de repouso. Durante esse período, experimenta um sublime deleite. Seu nível, no Mundo das Almas, também é determinado por suas realizações, da mesma forma como o será em sua recompensa final. No entanto, a verdadeira perfeição destinada aos que desta são dignos, não é atingida somente pelo corpo ou pela alma, mas por ambas as partes, em conjunto, após a Ressurreição. (Ver R. Bachya ad loc) (De Kidushin 71ª).

Uma mesma alma humana pode ser reencarnada várias vezes, em corpos diferentes, tendo dessa maneira oportunidade de retificar danos feitos em encarnações anteriores ou de atingir a perfeição não alcançada previamente. Em sua origem, a alma é parte da Essência Divina, sendo totalmente pura. Mas, em sua vida terrestre, pode desviar-se. Será, pois, necessário voltar para retificar os erros ou para tentar ascender a níveis espirituais mais elevados. Ao cabo de todas essas encarnações, a alma é, finalmente, julgada. E esse julgamento depende de tudo o que aconteceu em suas várias encarnações, ou seja, de sua condição como ser vivente em cada uma destas. É extremamente rígido o julgamento Divino de cada indivíduo. Abrange todos os aspectos de sua natureza e de sua exata situação. Porém, no Mundo Vindouro, o do Bem verdadeiro, cada indivíduo terá que arcar apenas com a responsabilidade por sua missão e ação neste mundo – e não pelo que não resulte de seus próprios atos. Contudo, o ponto crucial é o fato que tudo ser verdadeiro e justo, como afirma a Torá (Deuteronômio, 32: 7): “A obra do Criador é perfeita, todos os Seus caminhos são justiça”.

Nada que foi criado pode englobar os pensamentos de D’us, nem a infinita profundidade do Seu plano. Sabemos apenas que o princípio da reencarnação, como uma das experiências humanas, também segue a regra do julgamento imparcial, determinado por D’us, para aperfeiçoar a humanidade como um todo. O princípio da reencarnação é o da continuidade, de maneira que uma obra não seja aniquilada pelo desaparecimento de um “ser”.

A reencarnação pode ser explicada por uma bela analogia de Rabi Moshé Cordovero: é como a chama de uma vela, que pode acender muitas outras sem que sua própria flama se veja diminuída… [2]

III. Maimonides e a questão de ressureição – Décimo-terceiro Princípio (Os Treze Princípios de Fé): “Creio com plena fé na Ressurreição dos Mortos que ocorrerá quando for do agrado do Criador”.

O Décimo-terceiro Princípio envolve a ressurreição dos mortos. A importância desse conceito é nos ensinar que na Era Messiânica D’us aperfeiçoará o mundo, mesmo retroativamente. Além de ninguém morrer, mesmo os já falecidos voltarão à vida. A ressurreição dos mortos é um dos fundamentos do judaísmo.  O Décimo-terceiro Princípio nos ensina que apesar do histórico de guerras e sofrimento do mundo, tudo terminará com um final feliz. D’us recompensará os justos do mundo, judeus ou não, com uma recompensa eterna.

Conclusão – Neste trabalho, explicamos muito brevemente os Treze Princípios de Fé de Maimônides. Eles constituem os pilares do judaísmo. Antes de concluir, temos de fazer a seguinte observação. O judaísmo pertence exclusivamente ao Povo Judeu. Os Treze Princípios de Fé de Maimônides, portanto, apenas têm relevância para os judeus. Outras religiões têm seus próprios profetas, livros sagrados e ideias sobre D’us. O judaísmo ensina que não é necessário ser judeu para conseguir ligar-se a D’us, receber a recompensa Divina e ter um lugar no Mundo Vindouro. Basta ser uma pessoa justa e viver uma vida de integridade, justiça e bondade. D’us tem muitos filhos, e Ele tem diferentes expectativas de Seus filhos.

O cristianismo é o caminho certo para os cristãos, o Islã é o caminho certo para os muçulmanos e o judaísmo é o único caminho para os judeus. É fundamental para todos os judeus entenderem e praticarem o judaísmo. Os Treze Princípios de Fé de Maimônides resumem a sua essência: aquilo em que nós, judeus, cremos, e por que o Povo Judeu deve permanecer fiel, para sempre, à Torá e a seus mandamentos. [2]

Fontes: [1] http://judaismoeliberdade.blogspot.com.br/2013/05/a-reencarnacao-no-judaismo.html

[2] Revista Morashá, Ed. Edição 46 – Setembro de 2004: http://www.morasha.com.br/misticismo/imortalidade-e-a-alma.html

[3] http://www.morasha.com.br/leis-costumes-e-tradicoes/maimonides-os-treze-principios-da-fe-judaica.html

Coordenador: Saul Stuart Gefter

3 respostas

  1. Maravilha! Embora eu não seja religioso de nenhuma doutrina, creio firmemente em Deus, como Único e Indivisível. Me autodeclaro espiritualista, pois vejo o Altíssimo como o Espírito Supremo, autor e consumador de tudo que há; o Eterno.
    Apreciei muito o texto. Tem tudo a ver com a minha inata percepção.
    Gratidão.

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