Congregação Judaica Shaarei Shalom – שערי שלום

Tempo de leitura: 15 Minutos

 

  1. Introdução – O Judaísmo considera a violação de um mandamento divino como um pecado. O judaísmo ensina que o pecado é um ato e não um estado do ser. A Humanidade encontra-se num estado de inclinação para fazer o mal (Gen. 8:21) e de incapacidade para escolher o Bem em vez do Mal (Salmo 37:17). O Judaísmo usa o termo “pecado” para incluir violações da Lei Judaica que não são necessariamente uma falta moral. De acordo com a Enciclopédia Judaica, “O Homem é responsável pelo pecado porque é dotado de uma vontade livre (“behirah”); contudo, Ele tem uma natureza fraca e uma tendência para o Mal: “Pois o coração do Homem é mau desde a sua juventude” (Gen,8,21; Yoma,20a; Sanh105a). Por isso, D´us na sua misericórdia permitiu ao Homem arrepender-se e ser perdoado. O Judaísmo defende que todo o Homem nasce em pecado, pois a consequência de Adão recai sobre os outros homens, conforme o Salmo 51:5 “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.”… a doutrina da expiação é um conceito de justiça e misericórdia baseado no arranjo figurativo do sacrifício de animais. O sangue de um animal era derramado no altar como “resgate” dos pecados cometidos de natureza menor da Lei de D´us. [1]
  2. Qual é o conceito judaico do pecado? Por Morris Kertzer

O conceito judaico de pecado se ampliou e transformou através dos séculos. Para os antigos hebreus, o pecado consistia na violação de um tabu, uma ofensa contra D´us, pela qual deveria ser oferecido um sacrifício expiatório. Gradativamente, com o correr dos anos, este conceito se dilatou. O pecado passou a significar a nossa inabilidade em nos conformarmos com nossas plenas potencialidades, o nosso malôgro em cumprir nossos deveres e arcar com as nossas responsabilidades como judeus e como povo de D´us.

Estas grandes expectativas provenientes da criação do homem à imagem de D´us, são acentuadas em todos os ensinamentos judaicos. Narra certa lenda do Talmud que ao entregar a Torá a Moisés, D´us chamou para testemunhar não apenas os judeus do tempo de Moisés, porém os judeus de todas as gerações futuras. Cada judeu, portanto, deve considerar-se como tendo aceito pessoalmente a Lei e os elevados ideais dados a seus pais, como depositários, nas faldas do Sinai. Deixar de pautar a vida por estes altos padrões, constitui pecado. A tradição judaica distingue entre pecados contra a humanidade e pecados contra D´us.

Os primeiros – transgressões de um homem contra seu próximo – somente podem ser reparados com a obtenção do perdão daquele que foi agravado. Orações não podem expiar tais pecados; D´us não intervém para redimir as dívidas do homem para com o seu semelhante.

Os pecados contra D´us se cometem por quem se alheia à sua fé. Estes podem ser expiados pela verdadeira penitência, que em hebraico se exprime pela palavra “retorno”( Teshuvá – em hebraico), quer dizer, um regresso a D´us e uma reconciliação com Êle. Isto só pode ser conseguido por meio de uma análise honesta de nossas almas, um reconhecimento sincero de nossas imperfeições e uma firme resolução de preencher o vácuo entre o credo e o ato. [2]

III. O Que é Pecado? Como a maioria das coisas, a resposta depende de para quem você pergunta. O Midrash (Yalcut Shimoni sobre Tehilim 25) descreve uma espécie de “mesa-redonda” na qual esta pergunta é apresentada a quatro autoridades diferentes – Sabedoria, Profecia, Torá e D’us – cada um dos quais fornece uma diferente definição de pecado.

Segundo a Sabedoria, o pecado é um ato prejudicial. De acordo com a Profecia, é morte. Torá o vê como uma tolice. E D’us o vê como uma oportunidade. A visão filosófica do pecado é que é uma má idéia, como caminhar descalço sobre a neve ou comer muitos alimentos engordurados. Se você faz coisas más, as consequências serão más. Isso quer dizer que Alguém fica sentado, tabulando os pecados e distribuindo os castigos?

Bem, de certa forma, embora não seja algo tão simplista como um D’us vingativo acertando as contas com Suas pequenas criaturas terráqueas por ousarem desafiar Suas instruções. A gangrena em um membro congelado é a punição enviada por D’us por aquela caminhada sobre a neve?

Problemas no coração são a vingança de D’us por causa de uma dieta rica em colesterol?

Definitivamente sim, se você aceita que tudo que acontece foi porque D’us queria que acontecesse. Mas o que realmente significa é que D’us estabeleceu certas “leis da natureza” que descrevem os padrões de Seus atos sobre nossa existência. Há leis físicas da natureza – aquelas que os cientistas avaliam e formulam hipóteses a respeito. Há também leis espirituais da natureza, que ditam que os atos espiritualmente benéficos produzem benefício espiritual, e ações espiritualmente prejudiciais causam dano espiritual.

E como nossa existência física deriva e espelha nossa realidade espiritual, o comportamento moral e espiritual de uma pessoa terminará por afetar sua vida física também. Dessa maneira, o Rei Salomão (que é a fonte da perspectiva da “Sabedoria” no Midrash acima mencionado) declara no Livro dos Provérbios (Mishlê): “O mal persegue a iniquidade.”

“Profecia” vai um passo além disso. O pecado não é apenas um ato prejudicial – é o ato prejudicial por excelência. A Profecia (que representa o apogeu do esforço do homem para comungar com D’us) define “vida” como uma conexão com D’us. O Pecado – o homem afastando-se de D’us – é uma ruptura desta conexão. Sendo assim, o pecado é a morte.

A Torá concorda que o pecado seja um ato prejudicial. Concorda também que é uma ruptura do fluxo de vida do Criador para a criação. De fato, a Torá é a fonte tanto da perspectiva da Sabedoria como da Profecia sobre o pecado. Mas a Torá também vai além de ambos, ao reconhecer que a alma do homem, voluntária e conscientemente, jamais faria algo tão tolo.

O pecado, diz a Torá, é um ato de insensatez. A alma “perde a cabeça”, e num momento de irracionalidade e confusão cognitiva faz algo contrário a seu verdadeiro desejo. Então o pecado pode ser transcendido, quando a alma reconhece e identifica a tolice de sua transgressão, e reafirma sua verdadeira vontade. Então o verdadeiro “eu” da alma transparece, revelando que o pecado foi de fato cometido apenas pelo “eu” mais externo e maleável da alma, ao passo que seu “eu” interior jamais esteve envolvido.

E o que diz D’us?

D’us, é claro, inventou as leis da natureza (tanto físicas como espirituais) e a Sabedoria que reconhece como elas funcionam. D’us é a fonte da vida, e é Ele quem decreta que a vida deveria fluir para a alma humana através de um canal construído (ou rompido) pelas ações do homem. E D’us nos deu a Torá e suas fórmulas para a sanidade espiritual, auto-conhecimento e transcendência. Portanto, D’us é a fonte das primeiras três perspectivas sobre o pecado.

Mas há uma quarta perspectiva que vem unicamente de D’us: o pecado como uma oportunidade para o “retorno” (teshuvá). Teshuvá é um processo que, em sua forma máxima, nos possibilita não apenas transcender nossas falhas como também redimi-las: literalmente, voltar no tempo e redefinir a natureza essencial de um ato passado, transformando-o de mau em bom.

Para conseguir isso, primeiro temos de sentir o ato de transgressão como algo negativo. Temos de agonizar com a total devastação que produziu em nossa alma. Temos de reconhecer, rejeitar e renunciar à sua insensatez. Apenas então poderemos voltar atrás e alterar aquilo que fizemos. Então, o pecado é uma ação má e prejudicial? É a própria face da morte? É mera estupidez, para ser posta de lado por uma alma inerentemente pura e sábia? É uma oportunidade potente para a conquista e o crescimento? Na verdade, é tudo isso. Mas apenas pode ser a quarta perspectiva se for também as três primeiras. [3]

  1. O Pecado no Éden – Esta é uma das questões que mais embaraço encontra uma pessoa não-religiosa, e que uma pessoa religiosa se esforça em não entrar no rol: O PECADO ORIGINAL
  2. Bem, o texto mais mau-entendido para se iniciar uma suposta ‘doutrina do pecado original’, o qual supõe que todo ser humano, nascido depois de Adam e Chavá (Adão e Eva), tem este, digamos, selo, em sua alma, em seu ser. Mas, seria isso uma verdade, um CONCEITO JUDAICO? Esta doutrina do pecado original ensina que, pelo fato de Adam e Eva terem pecado no Jardim do Éden, estes trouxeram a morte a todos os seus descendentes. Segundo este ensinamento, todos os humanos morrem porque Adão pecou ao comer de um fruto que H’Shem os havia proibido de comer.

Segundo um livro profano, porque Adão comeu de tal fruto, a morte entrou no mundo. Com este pecado, todo homem deve pagar com a morte, algo INCONCEBÍVEL dentro da TORÁ e de toda a estrutura judaica.

“E ordenou o ETERNO D”s ao homem, dizendo: ‘De toda árvore do jardim podes comer. E da árvore do conhecimento do bem e do mal, não comerá dela; pois no dia em que comeres dela, morrerás”. Bereshit 2.16,17. H’Shem deu uma ordem, dizendo que não se comesse daquele fruto. Analisando inicialmente estes passukim (versos), há uma declaração: “De toda árvore do jardim podes comer”.

Havia autoridade do homem comer daquele fruto sim, porém não naquele momento, pois em seguida H’Shem dá outra ordem: “E da árvore do conhecimento do bem e do mal, não comerá dela”. Que isso significa? Que D”s não queria que seus filhos tivessem conhecimento daquilo que ELE tinha em mente? Mas, antes, ELE, disse que, SIM, poderia comer de todas as árvores. Seguindo este elemento, H’Shem daria a comer também da Ets haDaat Tov vaRá, a Árvore do Saber do Bem e do Mal. Porém, não naquele momento, pois “E da árvore do conhecimento do bem e do mal, não comerá dela”. Bem, aconteceu que Eva, seduzida pela sua própria vontade, e astúcia de uma serpente falante se deixou a esquecer da ordem do Superior, e acabou cedendo:

“E viu a mulher que boa era a árvore para comer e que desejável era para os olhos e cobiçável a árvore para entender, e tomou do seu fruto e comeu; e deu também a seu esposo, com ela, e ele comeu.” Bereshit 3.6. A mulher, impelida pela sua livre arbitrariedade, ou seja, pela sua livre decisão de fazer ou não, resolveu que podia comer, mesmo sem a permissão, anteriormente, ordenada.

Quem recebeu tal mandato foi o Ish (Homem), quando, antes da criação dela, ouviu com bons ouvidos (Bereshit 2.16). Comendo, e dando ao seu esposo, teve algo que ainda não havia ‘lutado’ por obter: O CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL, contidos dentro deste fruto. Criados com a liberdade de escolhas, poderiam ter continuado por mais tempo sem desobedecer. Eles não eram seres autômatos, como os anjos, mas seres que podiam decidir, sem conhecimento de causa, mas poderiam decidir. H’Shem, como prova de observância, lhes proibiu que comessem tal árvore. Poderiam ter se saído bem, mas…

Bem, comeram e o fato estava consumado. Uma árvore madura, em que não precisaram ‘suar’ para que houvesse ali frutos. Comparemos a uma criança recebe de seus pais a comida excelente, sem precisar trabalhar para se sustentar. Assim, H’Shem separou no Éden um jardim. Este era composto de tudo de bom para sua maior criação: o HOMEM. Poderiam comer de tudo menos de uma. Esta era a única observância. Mas, comeram. Com isso, houve a primeira transgressão, o primeiro pecado, e foram ( de certa forma dura) expulsos daquele paraíso aqui na Terra.

Agora entramos no caso do Tema desta semana: PECADO ORIGINAL É CONCEITO JUDAICO?

A grande maioria dos religiosos afirmam que o ser humano morre porque Adam pecou no jardim do Éden, e isso foi ‘herdado’ pelos seus descendentes. Seria isso VERDADE??

O homem foi formado nesta terra para que cuidasse dos bens que H’Shem criou. Como explicado em outro Tema aqui neste blog (http://conceitosjudaicos.blogspot.com/2010/07/o-homem-e-imortal.html), o homem foi feito MORTAL. Nunca houve imortalidade em sua formação terrena. Adam, ‘nasceu’, para um dia morrer ou não. Isso dependeria. MAs que era mortal em sua carne é inegável.

A TORÁ ensina que o homem comeu do fruto consciente do que lhe ocorreria. A morte indicada pela palavra de D”s foi muito bem entendida. Quando ele recebeu a exclusão do jardim do Éden, ali acabou sua existência eterna que seria advinda do comer da Árvore da Vida. Estava fadado a morrer. Foi pela atitude de comer a árvore que ele foi expulso? Não, mas por outra coisa pior que poderia acontecer: comer da Árvore da Vida.

Foi por este motivo que ele foi expulso do ‘Paraíso’. H’Shem os expulsou para que não se tornassem imortais. Contudo, não levaram em sua gene a ‘semente’ do pecado, como insinua o dito livro profano. Mais adiante, em Bereshit 4, vemos claramente o ensinamento da TORÁ, de que o homem não nasce com pecado algum. O relato da morte de Hável (Abel) por seu irmão Cain, mostra esta atitude humana, e seu interior:

“E irou-se Cain, muito, e descaiu-lhe o semblante. E disse o ETERNO a Cain: ‘Por que te iraste e por que descaiu o teu semblante? Porventura se podes bem suportar (ser-te-ás perdoado), e se não, na porta jaz o pecado; e a ti (fazer-te pecar), é o seu desejo (do mal impulso), mas tu podes dominá-lo” Bereshit 4. 5b-7. A TORÁ é precisa em detalhes: 1º Cain IROU-SE, 2º irou-se MUITO, 3º ficou sem controle e DESCAIU O SEMBLANTE.

Deste detalhe, nada sugere uma ação de fora para dentro, muito pelo contrário. Cain mostra toda sua fúria, e isso vem de dentro (irou-se) para fora (descaiu o semblante). Que havia dentro dele? Este passuk nos remete ao fato anterior, daquilo que podemos chamar de ‘cair em pecado’, ou seja, quando ele assassina seu irmão(Bereshit 4.8).

Em seguida à concepção da ira interior, de total responsabilidade de Cain, H’Shem continua a persuadí-lo a que DOMINE seu instinto. “Porventura se podes bem suportar (ser-te-ás perdoado), e se não, na porta jaz o pecado; e a ti (fazer-te pecar), é o seu desejo (do mal impulso), mas tu podes dominá-lo”.

Nesta porção da palavra de H’Shem a Cain, vemos que a tentativa de ceder o perdão, pelo pensamento, ou seja, o impulso do coração de Cain, para o mal, antes que ele viesse a se concretizar. Por que seria perdoado, se não tivesse ainda feito tal delito? Porque todo ato, se inicia antes de tudo dentro de nós. Quando Eva foi comer da árvore, ele teve dentro de si este desejo. A serpente foi um desvio de conduta, que aprovou aquilo que ela queria.

Porventura se podes bem suportar (ser-te-ás perdoado) – Se o homem conseguir bem suportar a sua ânsia pela maldade que instiga, certamente será perdoado pelo Criador.

Mas, por que H’Shem perdoaria a Cain, sendo que o mal seria feito a seu irmão? Pelo fato da não consumação, porém assim mesmo, Cain teria como que por obrigação pedir perdão pela ‘arquitetura de morte’ ao seu irmão, sendo assim reconciliado.

A TORÁ ensina que aquele que aquele que comete uma transgressão deve pagar sua pena. Sendo assim, Cain, e somente ele deveria pagar pelo pecado que cometeria adiante. Aliás, aqui está pela primeira vez a palavra pecado, e saindo da Boca de H’Shem. e se não, na porta jaz o pecado – Vejam que o pecado está próximo de ser materializado, pelo pensamento do homem. Ele está ali, bem perto.

Havel, recebe o convite. A intenção de Cain, de tirar-lhe a vida, está para se apresentar em forma de uma fúria destrutiva, tanto da vida do Tzadiq Havel, como de uma posteridade inteira, de Cain. Se ele pudesse só mais um pouco suportar esta ira, estaria perdoado por H’Shem (pois não houve consumação), mas se não, o pecado que estava em seu interior seria materializado em forma de morte.

Não que se ele estivesse no Éden estaria fora de perigo. Ele, como seus pais tinham livre-arbítrio, então, poderia ter decidido matar seu irmão mesmo estando lá dentro. A TORÁ não menciona qual a situação do rancor e inveja. Apenas que a situação chegou ao limite quando ambos ofertaram suas dádivas a H’Shem. Nem nos conta qual foi a conversa deles no campo. e a ti (fazer-te pecar), é o seu desejo (do mal impulso) – Aqui, mais uma vez percebemos que não há ação exterior alguma.

A concepção de matar o seu irmão estava ganhando uma dimensão fora de controle. Cain não havia nascido com pecados, porém estava desejando um, pois a TORÁ declara veementemente e a ti (fazer-te pecar), é o seu desejo. O desejo pelo pecado. O desejo por fazer o que é mal. Isso está declarado. Não há figuras mitológicas agindo em volta de Cain. Ele, após atos de extrema fixação nervosa parte para a finalização de seu desejo, mas tu podes dominá-lo. H’Shem diz que ele pode sim, dominar este impulso para o mal.

O pecado que está defronte pode ser desviado, e assim acabar por se destruir este mal pensamento. O auto domínio do ser humano é eficaz para que se obtenha vitória sobre o instinto próprio de uma ‘defesa’ através da fraqueza psicológica. Ao admitir que poderia causar mal ao seu irmão, coisa que jamais veio junto de seu espírito ao nascer, Cain tem também a alternativa de suportar e dominar a reação transgressiva da vida de outrém. Antes de descer à cova, na morte, o homem tem a oportunidade de controlar, e dominar seu instinto do mal. Quando a TORÁ descreve ‘o pecado jaz a porta’, é como se a cada passo que damos, há chances de sucumbir a esta estrutura criada dentro de nós mesmo.

Dentro do Judaísmo chamamos isso de Ietzer haRá, Inclinação ao Mal. O oposto é Ietzer haTóv, Inclinação ao Bem. Assim, cremos que nada fora do homem pode agir para que ele seja bom ou mau, a não ser o meio ambiente e as coisas por ele mesmo interpretadas. Não é uma luta dentro de nós, e muito menos uma batalha travada entre o Bem (D”s) e o Mal (diabo).

São, isso sim, tendências que podem ou não vir a ser concluídas. “E disse Cain a Havel, seu irmão, e sucedeu que, estando eles no campo, levantou-se Cain contra Havel, seu irmão, e o matou.” Bereshit 4.8. Com esta passagem, tivemos em conta o primeiro assassinato humano. Cain disse algo a Havel, e nisso houve uma discussão, e como estavam em local afastado, no campo, Cain se mostrou tão violento, que lutando contra seu irmão, o matou. A TORÁ, num único versículo, falando apenas de duas pessoas, faz questão de mencionar duas vezes que Havel era (de Cain) seu irmão.

Isso nos mostra que um ato desumano sempre será contra duas pessoas distintas: contra o homem, criatura feita para que dominasse a terra e as outras criaturas inferiores, e contra H’Shem, o Criador e doador de vidas. Ora, sabemos que Havel era seu irmão, porém para destacar a crueldade do instinto ao mal do homem, ela destaca bem aparente que ele era SEU IRMÃO.

Que há de original nos dois primeiros atos de transgressão? O homem pecou no jardim do Éden. O homem pecou fora dele. Havia sempre dentro do homem, em sua essência, o gosto pela liberdade. Sendo único responsável por seus atos, ele resolve que deve tomar suas próprias decisões. Come quando não era para comer. Mata quando não era para deixar o pecado se revelar.

Quando come, ele se torna conhecedor. Quando peca, se torna um arrependido. Como toda criação de H’Shem, o homem é bom. Ele tem estas tendências, porém é bom (Bereshit 1.31). Se o homem se arrepende de seus atos contrários à Sabedoria da TORÁ ele será recebido de braços abertos (Ezequiel 18). Se puder suportar, será perdoado. O homem não nasce pecador, e a doutrina de pecado original é uma ofensa ao espírito da Criação. O homem não herda pecado algum de Adam, nem a morte é por causa de Adam.

Poderia sim, se Adam não tivesse desobedecido, que fôssemos imortais, mas, como ele não cumpriu a única mitzvá que lhe foi dada, apenas continuou aquilo que já era: mortal. Não podemos reclamar por algo extra que poderíamos ter nas mãos.

O profeta I’shayahu (Isaias) nos mostra com simplicidade que uma criança não sabe discernir nada. Ela não herda pecado original algum (Is 7.16). Temos em nossa vida duas escolhas: o Bem e o Mal. Ninguém, senão nós mesmos pode decidir. Ou se faz o Bem, o qual a TORÁ é a dádiva, ou se faz o Mal, ignorando a mesma TORÁ. A Escritura do tanakh diz:” A Alma que pecar, esta morrerá.”(Ez 18).

Não diz: a Alma que nasce pecadora e pecar, esta morrerá. Portanto, o ensinamento dum livro profano que diz que por um homem (Adam) o pecado entrou no mundo, e com isso todos herdam este pecado e por isso pecam e morrem por causa do pecado de Adam, é MENTIRA. Não é conceito dentro da TORÁ. PECADO ORIGINAL NÃO É CONCEITO JUDAICO. Shalom Alekhem! 5 de Elul do ano 5770 da Criação, Postado por Darley ‘Absalom’ às 21:17 [4]

Fontes: [1] Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pecado; [2] Coleção Judaísmo/O Que é um Judeu: http://tryte.com.br/colecaojudaismo/livro1/l1cap06.php; [3] Chabad: http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1152528/jewish/O-Que-Pecado.htm; [4] Conceitos Judaicos: http://conceitosjudaicos.blogspot.com.br/2010/08/o-pecado-no-eden.html

Coordenador: Saul Stuart Gefter



2 respostas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *