Congregação Judaica Shaarei Shalom – שערי שלום

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A Perashat Ki Tisa é a vigésima primeira porção semanal da Torá e pode ser encontrada no livro de Shemot (Êxodo) 30:11-34:35. “Ki Tisa” é uma expressão hebraica que significa “quando elevares”, referindo-se ao censo que Moisés é instruído a realizar do povo judeu.

Resumo da perashat

A Perashat Ki Tisa começa com a instrução para que Moisés realize um censo da comunidade israelita, e continua com a construção do altar do incenso, a oferta de doações para a construção do Tabernáculo e a nomeação de Bezalel e Oholiab para liderar a construção. Moisés também é instruído a guardar o Shabat, e a perashat conclui com o episódio do bezerro de ouro e sua consequente punição.

O que dizem os sábios

Maimônides, um dos maiores filósofos e líderes religiosos judeus de todos os tempos, comenta sobre a construção do altar do incenso, dizendo: “O altar do incenso foi feito em sua totalidade de madeira de acácia coberta de ouro, e tinha uma altura de um côvado e uma largura de um côvado. Não era muito grande, porque o incenso não era oferecido em abundância, mas sim em pequenas quantidades, porque o aroma era muito forte” (Mishneh Torah, Hilchot Kelei HaMikdash 2:1).

Rashi, um dos mais importantes comentaristas da Bíblia e do Talmud, comenta sobre a punição pelo episódio do bezerro de ouro, dizendo: “Quando a Torá diz que D’us disse que iria destruir o povo, ele não estava falando literalmente, mas sim como uma forma de enfatizar a gravidade do pecado e a necessidade de uma punição severa” (Comentário de Rashi sobre Êxodo 32:10).

Rabi Judah ben Samuel Halevi, um poeta e filósofo judeu, comenta sobre a construção do Tabernáculo, dizendo: “O Tabernáculo era uma estrutura física, mas era um lugar sagrado onde o povo judeu poderia se conectar com D’us. Era um lugar de oração, sacrifício e redenção, e simbolizava a presença divina no mundo” (Kuzari, 1:97).

Rabi Yitzhak Abarbanel, um líder religioso e filósofo, comenta sobre a punição pelo bezerro de ouro, dizendo: “D’us puniu os judeus pelo bezerro de ouro não apenas porque o pecado em si era grave, mas também para estabelecer um precedente para o futuro. D’us queria que o povo judeu entendesse que a idolatria e a adoração de outras divindades eram proibidas e que ele seria implacável em sua punição para aqueles que se afastassem dele” (Comentário de Rabi Yitzhak Abarbanel sobre Êxodo 32:26).

Rabi Abraham ibn Ezra, um filósofo, poeta e comentarista bíblico, comenta sobre a punição pelo bezerro de ouro, dizendo: “D’us não puniu todo o povo pelo pecado do bezerro de ouro, mas apenas aqueles diretamente envolvidos. Isso mostra a justiça e a equidade de D’us, que pune apenas aqueles que merecem punição” (Comentário de Rabi Abraham ibn Ezra sobre Êxodo 32:34).

O que diz o Talmud

O Talmud, um importante texto judaico que registra discussões rabínicas sobre a lei judaica e outros assuntos, cita Moisés como tendo perguntado a D’us sobre a sua natureza divina, e D’us respondendo: “Eu sou o que eu sou” (Êxodo 3:14). Os comentaristas do Talmud debatem o significado desta resposta, mas muitos concordam que ela indica a incompreensibilidade e o mistério da natureza divina.

A visão cabalística

O Zohar, um importante texto cabalístico, comenta sobre o bezerro de ouro, dizendo: “Os judeus se apegaram ao bezerro de ouro porque estavam procurando uma conexão material com D’us. Eles queriam algo que pudesse ver e tocar, e assim se distanciaram da verdadeira compreensão da divindade, que é espiritual e não física” (Zohar, Perashat Ki Tisa).

Conclusão

No geral, as citações dos sábios sefaraditas destacam a importância da conexão com D’us, a necessidade de evitar o pecado e a punição divina para aqueles que se afastam do caminho da justiça. Esses temas se relacionam diretamente com o nome da Perashat Ki Tisa, que significa “quando elevares”. O povo judeu deve sempre se esforçar para elevar-se espiritualmente e conectar-se com D’us, evitando os pecados que os afastam dele. Se não o fizerem, enfrentarão a punição divina, como vemos na história do bezerro de ouro. Portanto, a Perashat Ki Tisa serve como um lembrete para os judeus de que eles devem sempre buscar a conexão divina e evitar o afastamento dele.

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